O mercado global de moda, luxo e beleza está dando um sinal importante sobre o futuro da assessoria de imprensa.
A Launchmetrics, plataforma de inteligência e mensuração de marcas, incorporou AI Visibility à sua estrutura de análise de PR. A ferramenta passa a acompanhar como marcas aparecem no ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity — e, principalmente, quais veículos, jornalistas, conteúdos e narrativas estão relacionados a essa presença.
A mudança coloca uma nova variável na avaliação dos resultados de comunicação: o impacto que a mídia conquistada pode exercer sobre a forma como inteligências artificiais compreendem uma marca.
De clipping para percepção algorítmica
A Launchmetrics já era conhecida no mercado de moda por medir o impacto de mídia, influenciadores, celebridades, parceiros e canais próprios.
Agora, a empresa também permite comparar a presença de uma marca nas IAs antes e depois de campanhas e grandes eventos, além de identificar as fontes associadas às respostas.
Um dado divulgado pela empresa ajuda a explicar o movimento: segundo a Launchmetrics, 89% do que as IAs dizem sobre marcas no universo analisado deriva de earned media — a chamada mídia conquistada.
O percentual se refere ao ecossistema analisado pela própria plataforma, especialmente moda, lifestyle e beleza, e não deve ser generalizado automaticamente para outros mercados (veja a matéria divulgada na Vogue Business). Ainda assim, revela uma mudança importante na discussão sobre AI Visibility.
Até agora, grande parte desse debate esteve concentrada em SEO, GEO e AEO.
Mas existe uma camada anterior à otimização: as evidências públicas disponíveis sobre uma empresa.
Uma matéria agora pode ter uma segunda audiência
Uma reportagem continua gerando exposição, credibilidade e reputação entre pessoas.
Mas aquilo que ela torna público também pode integrar o conjunto de informações utilizado por sistemas de IA para compreender empresas, produtos, executivos e mercados.
Isso muda a maneira de enxergar assessoria de imprensa.
Uma matéria conquistada não é apenas exposição. É uma evidência pública sobre a marca.
Se diferentes fontes confiáveis associam consistentemente uma empresa a determinado tema, especialidade ou mercado, essas informações passam a compor o ambiente informacional a partir do qual as IAs constroem suas respostas.
É justamente por isso que o movimento da Launchmetrics é relevante: PR e AI Visibility começam a ser medidos dentro da mesma estratégia.
E no B2B, como funciona a assessoria de imprensa?
A implicação pode ser ainda maior.
Compradores já podem perguntar às IAs:
“Quais empresas são referência neste mercado?”
“Quem são os principais fornecedores?”
“Qual empresa deveria entrar na minha shortlist?”
Para responder, uma IA precisa encontrar sinais que sustentem suas escolhas.
O site institucional informa o que a empresa diz sobre si mesma.
Mas, a imprensa, associações, especialistas, pesquisas, clientes e outras fontes independentes ajudam a mostrar o que o mercado diz sobre ela.
É nesse ponto que assessoria de imprensa ganha uma nova função estratégica.
O clipping continua importante. Mas surge uma nova pergunta para as áreas de Comunicação e Marketing:
Depois de uma estratégia de PR, mudou alguma coisa na maneira como as IAs compreendem, associam ou recomendam nossa marca?
Essa é uma das questões que orientam o Marketing de Citação, metodologia desenvolvida pela Mayra Reis, da Alma Gestão, para trabalhar a construção de autoridade em ambientes mediados por inteligência artificial.
A imprensa passa a ter dois públicos
Uma reportagem publicada em um veículo relevante continua cumprindo sua função tradicional.
Ela pode alcançar leitores, ampliar conhecimento de marca, gerar reputação e oferecer validação independente.
Mas existe agora um segundo efeito possível.
Essa reportagem passa a integrar o ecossistema público de informações a partir do qual sistemas de IA podem construir respostas.
Isso significa que uma pauta sobre inovação, por exemplo, não comunica apenas naquele momento que determinada empresa é inovadora.
Se essa associação estiver presente de maneira consistente em veículos confiáveis, entrevistas, estudos, fontes especializadas e outros conteúdos públicos, ela pode contribuir para a formação de uma associação mais ampla entre aquela empresa e o território de inovação.
É uma mudança importante de perspectiva.
A assessoria de imprensa não produz apenas exposição. Produz evidências públicas sobre uma marca.
E essas evidências podem ser interpretadas tanto por pessoas quanto por máquinas.
Leitura complementar: Assessoria de imprensa com IA, RP Generativo e Marketing de Citação: qual é a diferença?